A Fonoaudióloga do ITB Brasilio Flores de Azevedo, do Jd. Belval, Camila Peres Passos, explica que o problema mais comum relacionado à voz em crianças e adolescentes é a rouquidão, “devido ao abuso vocal intenso: falar muito alto, gritar durante as aulas de Ed. Física, rir alto, se alimentar mal e tomar pouca água.”
Já no caso dos professores, além da rouquidão, também é comum garganta seca, pigarro e esforço para falar. “Quando esses sintomas são persistentes, podem levar a uma alteração nas cordas vocais, como nódulos conhecidos popularmente como ‘calos’, os pólipos e os edemas”, esclarece Camila. Não é à toa que 63% desses profissionais já apresentaram problemas de voz, contra 35% da população geral, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Estudo da Voz (CEV).
Anastácia Ap. Cruz, Fonoaudióloga do ITB Profª. Maria Sylvia Chaluppe Mello, do Engenho Novo, explica que os problemas com a voz começam a surgir quando há grande demanda de uso sem os devidos cuidados. Faz parte da prevenção, realizar aquecimento e desaquecimento vocal, hidratação e manter uma alimentação adequada, além de evitar o uso de álcool e cigarro e manter um sono adequando.
“É bom ficar atento aos primeiros sinais e sintomas, como rouquidão persistente por mais de uma semana, pigarro e cansaço vocal constantes, pois a identificação precoce pode otimizar o tratamento”, alerta a especialista.
Oficinas direcionadas
Em nome desses cuidados, e também para chamar a atenção de todos para uma maior valorização do órgão vocal, O Depto. de Saúde da FIEB realizou, em todas as unidades, Oficinas de Voz direcionadas adequadamente a professores e alunos.
Aos professores foi apresentado o funcionamento da voz, detalhando questões da anatomia e da fisiologia; uma dinâmica para a autopercepção vocal; prática de exercícios de aquecimento e desaquecimento; dicas de saúde com indicação de ações preventivas; e, finalmente, entrega de folders educativos.
Já os alunos passaram por uma dinâmica que identificou como é a voz de cada um, assistiram a um vídeo sobre o funcionamento das cordas vocais e a prática de exercícios de aquecimento e desaquecimento; receberam material informativo e contaram com plantão de dúvidas. Além disso, foi feita uma atuação junto aos interessados em participar do coral da escola.
As fonoaudiólogas da FIEB concordam que os descuidos com a voz são gerados pelo desconhecimento que a maioria das pessoas têm com relação a essa ferramenta de comunicação tão valiosa. “Acredito que as pessoas em geral não dão atenção necessária à voz ou desconhecem os cuidados básicos para preservá-la. A preocupação aumenta à medida que a voz é utilizada como instrumento de trabalho, havendo maior cuidado para que a mesma esteja compatível com a situação e a intenção de uso”, argumenta Anastácia.
Camila relaciona os problemas mais comuns à falta de cuidados adequados e de conhecimento sobre os perigos. Ela explica que existe um maior risco a determinados profissionais, como professores, cantores e atores, mas nada que torne o problema inevitável. “Os problemas começam a surgir a partir de um esforço contínuo sem que haja cuidados com a voz. E também quando a pessoa já tem uma propensão para apresentar os sintomas, como rinites, alergias, sinusites e alterações nas cordas vocais”, explica.