Os alunos do curso técnico integrado em Análises Químicas do ITB Profª. Maria Sylvia Chaluppe Mello, do Engenho Novo, tiveram a chance de demonstrar ao vivo, a toda escola, o que vêm aprendendo durante a 2ª etapa da I Semana da Química, que aconteceu nos dias 21, 22 e 23 de setembro. 2011 foi proclamado pela Organização das Nações Unidas como sendo o Ano Internacional da Química (AIQ). A 1ª etapa do evento aconteceu para os alunos do módulo entre os dias 17 e 19 de agosto (veja aqui).
“Acho que o ponto mais importante do AIQ é exatamente colocar a Química na mídia de uma forma positiva. Dar mais visibilidade para esta Ciência, que costuma ser muito mal vista pelos veículos de comunicação. Geralmente as notícias envolvendo Química se referem a envenenamentos, contaminações ambientais, poluição, esse tipo de coisa. O AIQ vem tentar desmistificar um pouco essa ideia errônea de que a Química é algo ruim e mostrar como ela é importante para a sociedade e como está presente no cotidiano de todos nós”, pontua o professor João Paulo Orlando, coordenador do curso de Análises Químicas.
Palestras e experimentos ao vivo
Durante esses três dias, profissionais experientes em diversas áreas da Química estiveram na escola ministrando palestras. No período da manhã, Pedro Gargalaca, da Coralis, falou sobre Colorimetria; Reinaldo Sampaio, da Clariant, sobre Aditivos para concreto; A Profª. Drªa. Márcia Guekezian, da Universidade Mackenzie, abordou métodos analíticos aplicados à Química Forense; Flávia Santana Batista, da Quirios, deu esclarecimentos sobre o início da vida profissional na área química, enquanto o Prof. José Otavio Baldinato, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), trouxe perspectivas para uma vida química.
À tarde, Reinaldo Sampaio ministrou novamente a palestra sobre aditivos para concreto; Álvaro Águas, da Isosoft, falou sobre reciclagem de garrafas pet; Silvio Tarou Sasaki, do Instituto de Oceanografia da USP, abordou o tema “Química: navegando por outras áreas”; por fim, o profº Angerson Nogueira do Nascimento, do ITB, expôs as universidades e as profissões.
No pátio da escola, havia estandes onde os alunos do 3º ano do curso organizaram mostras de experimentos. Cada uma das quaro turmas ficou responsável por uma bancada. Para que todos os estudantes da unidade pudessem assistir, os experimentos foram apresentados no horário de saída da turma da manhã e de entrada da turma da tarde. A escola de idiomas Wizard e a Universidade Mackenzie, que patrocinaram o evento, também colocaram estandes onde expuseram os serviços que oferecem.
Concomitantemente à Mostra de Experimentos, os alunos de 3ª Série também fizeram apresentações de pôsteres referentes a seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Os grupos, acompanhados de seu professor orientador, ficaram à disposição para explicar suas pesquisas e responder às dúvidas dos visitantes.
Segundo o coordenador João, a Semana da Química motivou ainda mais os alunos. “Sem dúvida estão se sentindo mais valorizados e estão também muito orgulhosos do trabalho que realizaram, já que receberam muitos elogios de todos que puderam ver alguma atividade do evento.”
Salas temáticas
No 4º andar da escola, salas temáticas foram preparadas pelos alunos de 1º e 2º ano de Análises Químicas, que abordaram os temas “A Química e os cuidados com a pele”, “Química e Energia”, “Química e Meio Ambiente” e “A Química das sensações”. Bem decoradas, essas salas abrigavam grupos que, muito bem preparados, realizavam as experiências ao vivo e davam explicações sobre as pesquisas que fizeram.
Abaixo, você confere um pouco do que havia em cada sala temática.
Cuidados com a pele
Uma mesa repleta de produtos de personal care, produzidos pelos próprios alunos, perfumou a sala toda. Havia shampoos, perfumes, sabonetes, sabonetes esfoliantes, géis de massagem etc. Representando o grupo, o aluno do 2º ano Caio Marcelo Lourenço explicou que tudo foi feito no laboratório da escola, que deu todo o apoio. “Decidimos fazer para mostrar que somos capazes de montar algo e apresentar a Química, que não é só análise de laboratório, tá no nosso cotidiano: fabricação, produção, investigação, em tudo”, detalha. O aluno ressalta que o AIQ veio em boa hora, “porque a Química é uma das indústrias de base, muito importante para todas as outras. Ela é mãe da indústria de tintas, mãe da indústria de borracha e pouco se fala dela.”
A química do amor
Também muito perfumado, esse trabalho demonstrou a extração de óleos de algumas matérias-primas, como morango, canela, plantas em geral. Depois de entender o processo, o visitante pôde conhecer os produtos prontos. “Trabalhamos com o sentido olfativo pra poder chamar o interesse dos outros cursos”, descreve muito bem a aluna Amanda Freire, do 2º ano. Ela conta que todo o processo foi realizado nos laboratórios da escola e com o apoio dos professores. “O AIQ possibilitou esse projeto e a exposição da Química no nosso cotidiano”, diz.
Condução de energia através da água ou do cloreto de sódio
Aqui, os alunos provaram que a água com sal conduz muito mais energia, já que ocorre uma ionização das duas soluções. Quem assistiu à apresentação, teve oportunidade de ver isso acontecendo. Para Esdras Oliveira dos Santos, do 1º ano, Química é justamente isso. “Química é síntese, é você criar, enxergar as coisas de uma forma diferente. Eu acho que a maioria de nós escolheu fazer o curso porque gostava mesmo disso, de produzir, de descobrir novas coisas, de olhar por novos ângulos”, declarou Esdras.
Polaridade através da batata
Você sabia que a batata pode ser usada como fonte de energia química para produção de energia elétrica? Pois é, os estudantes demonstraram que elas podem mesmo funcionar como pilhas e baterias. Além disso, eles também demonstraram uma reação química que encheu uma bexiga. “No experimento da bexiga estamos mostrando a base da Química, que são suas reações e as propriedades das substâncias”, explica Ângela dos Santos, do 1º ano. Segundo ela, esse evento representou uma grande oportunidade para expor o curso, adquirir conhecimento e, claro, se divertir.
Energia eólica
Essa importante fonte de energia que provém do vendo não foi esquecida pelos alunos de Análises Químicas do ITB. Carolina Alecrim, do 1º ano, explicou que a experiência utilizou um cooler ligado a um led e um secador de cabelos. “A gente quis demonstrar que a energia faz parte da Química, e como a energia eólica é sustentável, não agride a natureza, pode ser utilizada por todos, já que o Brasil apresenta ótimas condições para isso”. A aluna lamenta que os investimentos nessa área sejam, ainda, tão modestos, pois, por meio de sua pesquisa, aprendeu o quanto o recurso é valioso para suprir os novos tempos.
Química ambiental e água
Por meio de três lupas, os jovens demonstraram o acúmulo de bactérias existentes em nossas mãos em três etapas: sem ter sido lavada, lavada apenas com água e lavada com detergente e álcool. “Quisemos demonstrar a importância da higienização. Por exemplo, você olha a sua mãe e não vê nada, mas microscopicamente você percebe que tem que tomar mais cuidado. Isso é conscientização”, diz Paloma Barbosa, do 2º ano.
Destilador sustentável
Esse projeto fez tanto sucesso que até o diretor da escola resolveu adotá-lo nos laboratórios. Os alunos inventaram um destilador sustentável, ele reaproveita a água empregada. O estudante Adalberto Cordeiro de Brito, do 2º ano, esclarece que um destilador comum, como os que eles têm no laboratório, chega a utilizar 17 litros de água durante uma destilação. “Esse trabalho é muito atrativo pelo fato de reutilizar a água. É um ato de consciência”, diz. Durante a apresentação, o grupo colocou pra funcionar o destilador sustentável ao lado do destilador convencional, comprovando seu funcionamento. “Muitas das vezes, na teoria é uma coisa e na prática, outra, e aqui não, estamos comprovando nas duas formas que isso é possível”, afirma.
Jogos para memorizar a tabela periódica
Memorizar todos os componentes da tabela periódica não é fácil, mas é necessário. Para facilitar a vida dos estudantes nessa árdua tarefa, os alunos criaram joguinhos que ajudam a gravá-la na mente, brincando. Rhafaela Baciega, do 2º ano, disse que a ideia surgiu justamente para tornar isso mais prazeroso. “Achamos que essa seria a forma mais fácil de memorização, porque é uma coisa difícil de guardar na cabeça. Como o jogo é lúdico, torna mais fácil algo tão complexo”, justifica.
Química ambiental
Nesse experimento, os alunos fizeram com que uma luva de borracha inflasse devido a uma reação entre o vinagre e o bicarbonato de sódio. O efeito que ocorre no corpo humano também foi demonstrado, só que num béquer aberto próximo a duas velas acesas, que, com a reação, apagaram-se. “Acontece a mesma coisa no corpo humano. Se a gente estiver num lugar fechado só com gás carbônico, ele gruda na molécula de oxigênio e não há como respirar, e a gente morre assim como o fogo apaga”, detalha o aluno Bruno Gualberto da Silva, do 1º ano. “Nós escolhemos esse experimento porque o nosso tema é química ambiental e uma das coisas que preocupam bastante nesse assunto é a poluição do ar pelo gás carbônico”, disse. Segundo Bruno, a escola deu todo o suporte e os matérias utilizados na experiência.
Experiências curiosas
Sabe aquelas experiências que surpreendem e deixam curioso qualquer leigo no assunto? Um dos grupos encarregou-se justamente delas. “Ficamos responsáveis pelas experiências voltadas às curiosidades, aquelas coisas que mais chamam a atenção, tipo gelo seco, bebidas efervescentes etc., pra poder provar que a química não é uma coisa chata, tem muita coisa legal pra poder interagir com o público”, conta a aluna do 2º ano, Letícia Isabel de Farias. Muito do que foi feito nessa oficina foi inspirado no Show de Química, que esteve na escola há algumas semanas.
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